No Brasil, o movimento daqueles que ousam produzir vinhos diferentes é mais ondulatório do que retilíneo e, de tempos em tempos, parece correr o mesmo risco de extermínio que os queijos franceses. Verdade seja dita, pouca coisa na indústria vitivinícola brasileira segue as normas estabelecidas no Velho ou no Novo Mundo do vinho. Por aqui, a tendência é seguir a melhor e mais rápida maneira de ganhar dinheiro e fama. Por isso, são poucos os vinhateiros que começam como "autores" e assim permanecem. A tentação de crescer é imensa, mesmo que ela resulte no fato de ser "butique" apenas no nome.
A definição, convenhamos, não é clara, uma vez que os vinhos de garagem, ou de butique, ou de autor, têm em comum apenas a característica de serem produzidos em pequena escala, raramente atingindo grandes mercados, mesmo quando a vinícola ganha espaço na mídia e na taça do apreciador.
Usando novamente o exemplo francês, muitos produtores de regiões nobres entregam boa parte de sua produção aos négociants, que compõem um vinho quase comunal, sob uma denominação específica. Mas parte dessa produção pode ser engarrafada em separado por esse produtor, gerando um vinho especial, fora do comum, mas ainda dentro de uma denominação importante. Seria o equivalente (guardadas as devidas proporções) a uma cooperativa no Brasil pedir a um de seus cooperados que vinificasse em separado sua parcela de vinhedos, e essa produção mais específica fosse engarrafada sob outro rótulo.
No entanto, o que os enófilos esperam de um vinho de garagem, de autor ou de butique, é que ele seja único e que não tenha quase amarras comerciais. Por isso, a impossibilidade de fazer esse vinho dentro de uma grande empresa e, por isso, também, sua raridade, uma vez que no Brasil as leis e a carga fiscal limitam esses processos em muitos casos. Alguns poucos, felizmente, conseguem escapar desse processo de pasteurização.
Tormentas de Marco Danielle, Aracuri sob o cuidado de Cristiano Zorzan, Bettú de Vilmar Bettú e Província de São Pedro de Anthony Darricarrére são exemplos de "vinhos de autor" no Brasil.
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